terça-feira, 22 de abril de 2008

Quando pisarei na minha Canaã?

minha-canaa No último devocional compartilhado com todos, falei sobre a maior lição que podemos extrair dos desertos que atravessamos, que é a dependência em Deus. Neste último sábado, 19/04, estive na apresentação do Grupo Logos aqui em Natal, cujo evento foi tremendamente abençoador. Ao final eu conversava com uma irmã querida da nossa família e que compartilhava do sofrimento e esforço empenhado no cuidar da mãe que tem alzheimer. Neste instante eu falei que ela atravessa um deserto. Ela afirmou que está sendo muito difícil e, naquele instante, eu a confortei dizendo que depois de um deserto sempre tem uma Canaã. Como aquilo foi animador, pois puder ver em seu rosto um sorriso se abrir.

Hoje, minha esposa e eu fomos ao médico para fazermos a terceira ultra, deste modo acompanhando o desenvolvimento da gravidez nossa de 9 semanas. Vinhamos de dias de muita expectativa, pois ela estava de licença do trabalho e em repouso absoluto pelos últimos 20 dias, contribuindo para o bom desenvolvimento do nosso filho. Estávamos com uma expectativa de ver nosso bebê se mexendo, mas a notícia não fora esta. Não haviam batimentos. Não havia vida. Parecia que todo o esforço fora em vão. Parecia que toda a dedicação e carinho fornecidos ao feto foram em vão. Parecia que todo o diálogo que estabelicíamos com ele fora em vão. Ficamos calados, sem falar qualquer coisa, nem mesmo derramar uma única lágrima. Ficamos sem saber o que fazer. Se chorar, se orar, se louvar. Na primeira hora da notícia não podíamos definir o que realmente estávamos pensando, pois um turbilhão de coisas passavam em nossa mente. Apenas ficamos calados, desejando viver este momento somente nosso.

Da última vez que isto ocorreu, em 2007, eu fiquei revoltado com Deus. Questionava-O o porque deixar tudo isto acontecer se Ele saberia onde tudo iria acabar. Desta vez resolvi fazer diferente e interpretar que é apenas mais uma circunstância da vida onde sou chamado a atravessar o meu deserto, momento em que sou chamdo a viver na dependência de Deus. E é de forma tão didática que Salmão ao escrever o Salmo 127 nos ensina que a vida deve ser vivida na dependência do Senhor.

 "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.

Inútil nos será levantar de madrugada, repousara tarde, comer o pão que penosamente granjeaste; aos seus amados ele o dá enquanto dormem."

Nestes dois primeiros versos o salmista no ensina de que qualquer evento que realizemos deve ser fundamento no Senhor. NEle, nossos projetos são firmados para que possamos construir de forma sólida, concreta. Qualquer esforço sem Deus é em vão. Seja vigiar, seja edificar, seja falar, seja dormir.

Uma coisa temos por certo. O bom desenvolvimento do nosso filho não estava na fé das mãos profissionais, mas nas mãos do Autor da Vida. Logicamente nos subtemos à experiência e inteligência da pessoa que Deus no deu como médico. Mas a convicção de que tudo caminhara de modo abençoador estava depositada nas mãos de Deus, porque sabíamos que qualquer eventualidade que ocorresse, estavaríamos sendo sustentados.

Mas o salmista continua:

"Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão.

Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade.

Feliz o homem que enche deles a sua aljava: não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta."

Me sinto como um judeu que tem a promessa de pisar numa terra que mana leite e mel. Que houve de Deus constantemente estas palavras: que há um lugar, que há uma terra preparada, uma terra que mana leite e mel, que há uma herança maravilhosa. Me vejo como um judeu no deserto esperando sua Canaã.

Creio que filhos são bençãos. Eu fui um filho à minha mãe e sou um filho ao meu pai. Sei da participação e contribuição que tive e tenho a cada um deles. E assim desejo dos meus filhos, pode contribuir como pai e colher o fruto que vem deles. Quero que meu pai conheça a próxima geração após a mim. Mas, pela segunda vez, não consigo pisar nesta Canaã e ver manar tal leite e tal mel. Continuarei esperando, no Senhor, continuarei. Porque sei que nEle a minha espera não será em vão e no Seu tempo pisarei na terra que mana leite e mel, e ali me regozijarei com meus filhos nos braços, erguidos ao céu em honra e louvor a Deus, como sacrifícios vivos  ao Autor da Vida.

Amanhã, 23/04, estaremos bem cedo no hospital para os procedimentos do aborto. Não haverá mais expectativas de ter nos braços o nosso filho ainda neste natal e ano novo, mas há e sempre haverá o único Deus segurando em nossas mãos, sustentando-nos e confortando-nos na dor física e emocional. Porque se passamos por isto, é porque Ele sabe que nossas forças podem suportar.

 

Situações que nos fazem crescer são aquelas que, algumas vezes,  nos fazem chorar e buscar dependência em Deus.

 

Situações
(Grupo Logos)

Situações nesta vida me fazem sentir
Que não sou forte a ponto de até resistir
Neste terríveis momentos os maus pensamentos me querem levar
A um extremo de vida que meu equílibrio se deixa enganar

Instantes que se prolongam entando mudar
Tudo o que já se fez novo, pois Cristo mudou
Tentando hoje trazer o que eu tento esquecer
Sou vencedor e ninguém poderá me deter

Pois eu sei que jamais eu provado serei
Além do que eu possa suportar
E se ainda eu cair e pensar que é o fim
Jesus me ergue e segue junto a mim

3 comentários:

mjosino disse...

Queridos Amigos Alex e Alice, a dor nos cala e imobiliza, enquanto que o amor nos faz orar, confiar e seguir. Que Deus esteja com vocês neste difícil momento, e que vocês saibam que podem contar com amigos quando assim o desejarem. Com afeto, Karla e Miguel

Paulo Augusto disse...

Obrigado por compartilhar conosco essa mensagem

Luis Andrés disse...

Queridos Alice y Alex:
Siento mucho por la difícil prueba que están pasando.
Cuenten con toda mi fuerza, comprensión y mucha fe.
Luis.